Nos últimos anos, a arte generativa tem ganhado espaço nas galerias, nos museus e, sobretudo, no imaginário dos artistas e colecionadores. Mas afinal, o que define essa forma de criação artística? E mais: ela pode ser enquadrada como arte contemporânea ou estamos diante de uma nova categoria que exige uma outra compreensão?
Eu resolvi escrever este artigo porque como artista tradicional, que usa tinta sobre tela, acredito que a forma mais arcaica de ser artista, onde tudo começou… talvez não a mais, porque tudo começa mesmo com tintas da natureza e paredes de cavernas…. Mas por outro lado sou uma especialista em comunicação, marketing e tecnologia e fiquei curiosa sobre como encaixar a arte generativa no nosso universo artístico.
Sem querer ser repetitiva, mas naturalmente sendo, eu percebo que já falei sobre isso no artigo sobre arte e tecnologia em tempos de IA. Recomendo a leitura também!
Mas o fato é que ao fim da minha pesquisa e reflexões que vou compartilhar nos próximos parágrafos com vcs, eu conclui que nada mais é do que uma ferramenta para fazer arte! Arte pura!
Isso porque é só mais uma forma de explorarmos o ato de fazer arte… e daí com toda liberdade poética que tenho, por ser artista e também jornalista e publicitária, ouso dizer que é como a litografia, só vamos trocar as pedras pelos computadores.
Agora continue a leitura até o final e tire suas próprias conclusões! ; )
O que é arte generativa?
Arte generativa é aquela criada a partir de sistemas autônomos. Isso pode incluir algoritmos, inteligência artificial, softwares de simulação, ou até regras matemáticas e físicas. O papel do artista, nesse caso, é mais de orquestrador as possibilidades para chegar num resultado que seja satisfatório aos olhos ou alma. O artista idealiza a obra, define os parâmetros, utiliza plataformas que o possibilitam realizar suas criações e, muitas vezes, é surpreendido com os resultados! : o
Exemplos de arte generativa
- Obras feitas com algoritmos de código
Exemplo: padrões visuais que mudam constantemente, como fractais, mosaicos ou formas orgânicas que se multiplicam e se transformam com base em fórmulas matemáticas. - Inteligência Artificial que gera imagens únicas
Exemplo: o uso de IA como o DALL·E, Runway, ou Artbreeder para criar retratos, paisagens e cenas que não existem no mundo real. - Obras interativas com sensores e dados em tempo real
Exemplo: instalações que mudam de cor ou forma com a presença do público, ou que usam dados como batimentos cardíacos, clima, som ambiente etc. - NFTs generativos com código embutido
Exemplo: “Fidenza” de Tyler Hobbs — uma série de artes geradas por algoritmo, cada uma única, mintada diretamente na blockchain. - Música generativa
Exemplo: sistemas que criam composições musicais em tempo real, com base em regras estabelecidas pelo artista.
Artistas renomados da arte generativa
- Harold Cohen – pioneiro com o sistema AARON, uma das primeiras IAs a criar obras de arte visuais autonomamente desde os anos 1970.
- Casey Reas e Ben Fry – criadores da linguagem de programação Processing, usada amplamente na arte generativa visual. Reas também cria obras com algoritmos e inteligência artificial.
- Mario Klingemann – artista alemão que trabalha com redes neurais, aprendizado de máquina e IA. Suas obras misturam tecnologia e retratos humanos distorcidos.
- Refik Anadol – conhecido por transformar dados e inteligência artificial em instalações audiovisuais imersivas em grande escala.
- Tyler Hobbs – autor da série Fidenza, um dos maiores sucessos de arte generativa em NFTs. Suas obras exploram forma, textura e cor com algoritmos criados por ele mesmo.
- Sofia Crespo – artista que mistura biologia e inteligência artificial, criando criaturas e ecossistemas digitais inspirados no mundo natural.



Fazer arte generativa pode ser mais simples do que parece — especialmente hoje, com ferramentas acessíveis. Abaixo estão três caminhos práticos para começar, do mais técnico ao mais intuitivo:
1. Usando ferramentas no-code (sem precisar programar)
Perfeito para quem está começando:
- Artbreeder (https://www.artbreeder.com/) – mistura de imagens com IA, ideal para retratos e paisagens surreais.
- Runway ML (https://runwayml.com/) – plataforma de criação visual com IA e modelos generativos, fácil de usar.
- Playform (https://www.playform.io/) – mistura de arte tradicional com algoritmos generativos, ótimo para artistas visuais.
- Wombo Dream ou NightCafe – apps para criar imagens únicas a partir de textos.
2. Com programação criativa (nível intermediário)
Se quiser se aprofundar e criar algoritmos próprios:
- Processing – linguagem visual de programação, muito usada na arte generativa.
- p5.js – versão baseada em JavaScript, ideal para interações web.
- TouchDesigner – software para instalações interativas, música visual e arte em tempo real.
3. Misturando arte física + IA
Você pode escanear ou fotografar suas obras manuais e depois aplicar algoritmos para:
- Recolorir
- Analisar padrões
- Recriar formas
- Animar com IA (como o Kaiber, Runway ou After Effects com plugins de IA). Saiba mais aqui!
Dica extra para começar sem medo
Escolha uma dessas abordagens e faça uma série experimental com um tema que te emocione. O controle está em você: mesmo com a ajuda da máquina, a sensibilidade continua sendo humana.
A poética do imprevisível
Há algo profundamente poético na arte generativa: a entrega ao acaso controlado. Cada obra pode ser única, mesmo obedecendo às mesmas regras. Essa imprevisibilidade não elimina a autoria — apenas a reinventa. O artista passa a ser curador de algoritmos, intérprete da própria máquina, mediador entre o racional e o sensível.
Arte Generativa é arte contemporânea?
Sim e não. A arte generativa certamente dialoga com os temas centrais da arte contemporânea: o papel da tecnologia, o questionamento da autoria, a interatividade, e até o efêmero. Mas há quem defenda que ela inaugura uma nova era — não apenas um movimento dentro da arte contemporânea, mas uma virada cultural mais ampla.
A inteligência artificial, por exemplo, é apenas uma ferramenta: ela pode muda a própria noção de criação? Pode! Se o artista for um preguiçoso! Assim como tem acontecido com textos, em que as pessoas estão pedindo a IA para escrever, depois não leem o que recebem e passam adiante….
Isso também pode acontecer com a arte. Mas existe uma grande diferença: a arte irá representar o artista, então a decisão dele sobre os resultados é a base ou a própria obra de arte que ele vai entregar para o mercado e isso define seu estilo e personalidade artística.
Arte generativa é um novo campo ou uma extensão?
Talvez a arte generativa não precise ser “encaixada” em uma definição fixa. Ela é, por natureza, fluida, mutável e aberta à experimentação. Em vez de nos perguntarmos “é arte contemporânea?”, podemos perguntar: como ela amplia o campo da arte? O que nos faz sentir, pensar ou questionar? Que novas éticas, estéticas e poéticas propõe?
No futuro talvez possamos ver de forma diferente
Em um mundo cada vez mais digital, a arte generativa não é só um reflexo do nosso tempo — ela é também uma provocação. Ela nos faz pensar sobre autoria, sobre colaboração entre humanos e máquinas, e sobre os limites (ou a ausência deles) da criação artística.
Talvez, no futuro, ao olhar para trás, a arte generativa seja lembrada não como um estilo, mas como um sintoma de transição — o momento em que a arte deixou de ser apenas feita por mãos humanas para se tornar, verdadeiramente, um diálogo entre a criação e seu criador! Rsrsrs




