O Papel da Arte nas Cidades Inteligentes

Antes de entrar no tema central deste artigo, eu vou contar um fato curioso: a arte e o estudo sobre cidades inteligentes aconteceram de forma simultânea e paralela na minha vida há uns 4 anos atrás. Ao mesmo tempo em que eu estava retomando os estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, eu assumia a curadoria do palco Cities Of Tomorrow, que na verdade é uma relalização da Assespro-RJ. a maior e mais antiga associação de empresários de tecnologia e inovação do Brasil, que acontece dentro do Rio Innovation Week – RIW desde sua primeira edição, em 2022, no Jockey Club, no Rio de Janeiro, onde eu moro. 

É claro que uma hora esses temas iam se fundir em minha mente… e desde que isso aconteceu, há uns 3 anos atrás, eu venho pesquisando as intercessões entre artes e cidades inteligentes e é algo surpreendente o quanto a arte, em TODAS as suas formas, está presente e é relevante para a relação, conexão e comunicação da cidade com sua população. E é sobre isso o artigo que você vai ler agora… um resumão do que tá rolando.

A construção de cidades inteligentes vai muito além da tecnologia, da conectividade e da infraestrutura digital. Cada vez mais, especialistas e gestores urbanos entendem que a arte desempenha um papel fundamental na transformação dos espaços urbanos, tornando-os mais humanos, inclusivos e inspiradores. É nesse contexto que a arte nas cidades inteligentes surge como elemento essencial para equilibrar inovação, cultura e qualidade de vida.

 

Por que a arte é indispensável nas cidades inteligentes?

As cidades inteligentes são pensadas para resolver desafios urbanos por meio da tecnologia, mas não podem se restringir a dados, sensores e automação. A arte atua como um elo entre a inovação tecnológica e o cotidiano das pessoas.

  • Humanização do espaço urbano: obras artísticas, intervenções culturais e painéis públicos aproximam o cidadão de sua cidade, despertando pertencimento.
  • Inclusão e diversidade: a arte torna-se um canal de diálogo que representa múltiplas vozes, fortalecendo o tecido social.
  • Engajamento cívico: quando associada a dados abertos e tecnologia, a arte estimula novas formas de interação e participação da população.
  • Turismo e economia criativa: além de embelezar e valorizar espaços, projetos artísticos atraem visitantes e fomentam cadeias produtivas locais.

Experiências pelo mundo

Diversas cidades já entendem a importância da arte como vetor de inteligência urbana:

 

  • Barcelona investe em murais e intervenções artísticas que dialogam com tecnologia e sustentabilidade.

A cidade inteligente sem carros de Barcelona. Foto: Stanislavskyi

Barcelona, na Catalunha (Espanha), implementou projetos de “urbanismo tático” inovadores para suas ruas, já que lança mão da arte e do design gráfico para transformar o espaço público em favor da mobilidade dos pedestres. Os projetos buscam “humanizar” o asfalto, estampando sobre ele e no mobiliário urbano uma série de desenhos gráficos – de diferentes cores, escalas e figuras – como códigos que remetem às tradicionais pedras que pavimentam as calçadas catalãs (imagem 1). Já para as autoridades do conselho de Barcelona, essa intervenção estética permite – além de uma apropriação consciente e lúdica do espaço público pela população – motivar a caminhada, reduzindo os níveis de poluição sonora e do ar que comprometem a vida das cidades dominadas pelos carros.

 

  • Amsterdã combina dados urbanos com instalações interativas que mudam conforme indicadores de mobilidade e clima.
Centro de transporte e desenvolvimento em Amsterdã. Foto: UNStudio

 

  • Singapura criou o projeto ArtScience Museum, unindo inovação digital, ciência e arte em um espaço cultural central.
Projeto ArtScience Museum – Singapura. Foto Web.

 

  • O Rio de Janeiro oferece museus à céu aberto, como o Museu de Arte Urbana do Porto – MAUP, no Boulevard Olímpico, e Rua Walls, projeto de urbanismo tático que vai da roda gigante Rio Star até a Rodoviária Novo Rio e conta com murais assinados por artistas reconhecidos da cena contemporânea brasileira.
Rua Walls. Foto: Jornal OGlobo.

Verdade que tanto o MAUP quando o WALLS precisam de atenção da prefeitura e manutenção para continuarem vibrantes, mas foram iniciativas relevantes e que vem se ampliando. Recentemente foi feita intervanção artistica na BRT. Diante destas ações e outras que não estão apresentadas aqui, podemos dizer que o Rio também vem se consolidando como laboratório vivo para unir mais arte à cidade.

Esses exemplos mostram que a arte vem ganhando cada vez mais destaque e importência na construção de cidades mais inteligentes e faz parte de um ecossistema global que envolve inovação, cultura e cidadania.

 

Minha atuação como especialista e curadora no Rio Innovation Week 

Abri este artigo contando minha história e como já falei venho pesquisando e contribuindo ativamente para fomentar a intersecção entre arte, tecnologia e urbanismo há uns 3 anos. Além da minha prática como artista visual há mais de 5 anos, atuo nos setores de comunicação e tecnlogia há 18 anos, o que me levou à curadoria do palco Cities Of Tomorrow, dentro do Rio Innovation Week, que este ano (20025) realizou sua 5 edição de 12 a 16 de agosto, no Pier Mauá.

No RIW temos um espaço de debate rico, onde lideranças nacionais e internacionais podem refletir sobre o futuro das cidades. Em 2025, além da curadoria de temas para 9 painéis onde reúni mais de 30 especialistas e personalidades relevantes, participei de 2 painéis: “O Papel da Arte nas Cidades Inteligentes”, no qual tive o prazer de dividir o palco com o Bernardo Magina, professor do Parque Lage, artista visual e muralista.

E também participei do painel: “governança digital e dados abertos”, junto ao Willington Feitosa – coordenador de Cidades Inteligentes da Prefeitura do Rio de Janeiro, Robert Jansssen, presidente da Assespro-RJ e CEO da aceleradora Obr Global, e Márcio Lacs, CEO da AMT Cloud.

Podem parecer temas bem diferentes, mas acreditem, se juntarmos os 2 abrimos caminhos incríveis!

Minha principal mensagem este ano foi: “Quando pensamos em cidades inteligentes, é comum imaginar sensores, dados e tecnologia de ponta. Mas uma cidade verdadeiramente inteligente também precisa de alma. A arte tem um papel fundamental nesse processo: ela conecta pessoas, ressignifica espaços urbanos e cria identidade cultural. Ao integrar arte e inovação, promovemos bem-estar, pertencimento e criatividade — elementos tão essenciais quanto a infraestrutura tecnológica para construir cidades vivas, humanas e sustentáveis.”

 

Caminhos para o futuro

O futuro das cidades passa por compreender que dados e algoritmos precisam se encontrar com poesia e imaginação. A arte amplia horizontes e gera senso de comunidade, transformando ambientes em experiências.

Projetos que unem sensores, realidade aumentada, painéis de LED, inteligência artificial e intervenções artísticas já estão moldando o presente das metrópoles. O desafio é que governos, empresas e artistas caminhem juntos, garantindo que tecnologia e cultura sejam aliadas na criação de espaços mais inteligentes, mas sobretudo mais humanos.

A arte nas cidades inteligentes é um convite para olharmos para o futuro sem perder o que nos torna singulares: nossa sensibilidade, criatividade e capacidade de conexão.

Como artista e especialista nesse tema, acredito que a cidade do amanhã só será verdadeiramente inteligente quando for também artística, inclusiva e mais pulsante! ; )

Posts relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SOBRE MIM

Eu sou Bim Brito e vamos juntos explorar temas relevantes sobre artes para artistas, colecionadores e curadores? Seja muito bem-vindo! 🤗

SIGA-ME