
Nos últimos 2 anos estive estudando na Inglaterra nesta mesma época e tive a oportunidade de visitar nas 2 vezes a Summer Exhibition. Fiquei extremamente impressionada e feliz porque é uma exposição que te coloca de cara para milhares de obras de artistas do mundo inteiro!
E de repente esse ano, meu amigo querido Fabrício Faccio, um dos curadores do Abraço Coletivo, me convidou pra participar deste abraço tão gostoso que começa hoje (17). Sinto-me muito feliz de estar fazendo parte e isso me deu uma baita vontade de escrever este artigo comparando essas duas mostras, em especial para destacar a importância de movimentos como esses.
Em cenários distintos, essas duas expôs compartilham um mesmo espírito: o de celebrar a diversidade e a vitalidade da arte contemporânea através de exposições inclusivas, vibrantes e essencialmente democráticas.
Exposições que ampliam o olhar
A semelhança entre os dois eventos vai além da grande quantidade de obras. Tanto “Abraço Coletivo” quanto a “Summer Exhibition” têm como marca registrada o caráter inclusivo e celebratório da produção artística contemporânea. São mostras que não se limitam a nomes famosos: elas acolhem artistas em diferentes estágios da carreira, criando um mosaico visual onde convivem diferentes técnicas, linguagens e temáticas — do figurativo ao abstrato, do político ao poético.
Esses eventos funcionam como verdadeiros termômetros da arte atual. São oportunidades raras de ver reunidos, lado a lado, múltiplos olhares sobre o mundo. O espectador se torna um explorador: em cada obra, um gesto singular de criação, uma história, uma emoção.
Um gesto coletivo e afetivo
No caso de “Abraço Coletivo”, o nome já aponta para sua proposta curatorial: um abraço simbólico entre artistas, públicos e territórios. Realizada na efervescente cena cultural carioca, a exposição traz à tona a potência da união entre criadores, valorizando a produção local e ao mesmo tempo dialogando com movimentos internacionais. A ocupação da Lanchonete Lanchonete como espaço expositivo também carrega uma dimensão simbólica: é a arte tomando espaços do cotidiano, rompendo barreiras elitistas e convidando o público para uma mostra espontânea e acessível.
Já em Londres, a tradição centenária da Summer Exhibition carrega uma solenidade histórica — mas isso não impede a mostra de manter-se pulsante, atual e provocativa. Curada por membros da Royal Academy, a seleção anual atrai milhares de visitantes e representa um importante termômetro do mercado e da crítica internacional. Assim como no Rio, também é uma exposição onde nomes menos conhecidos dividem as paredes com artistas consagrados — e muitas vezes se destacam.
O valor de encontros como esses
Projetos como “Abraço Coletivo” e “Summer Exhibition” têm um papel fundamental no fomento à arte contemporânea. Eles abrem espaço para a diversidade — de estilos, histórias, origens — e funcionam como trampolins para artistas que muitas vezes não têm acesso às grandes galerias. Também formam públicos, ao tornar a arte mais acessível, próxima, viva.
Mais do que exibir obras, essas exposições criam comunidade. São celebrações do fazer artístico como potência transformadora, como espaço de troca e construção coletiva. Num mundo muitas vezes marcado pela fragmentação, iniciativas assim nos lembram do valor do encontro, da escuta e da beleza partilhada.
A arte como elo global
Seja nas paredes históricas da Royal Academy em Londres ou nos salões democráticos da Lanchonete Lanchonete no Rio, o que vemos é a arte cumprindo sua missão essencial: conectar. Conectar artistas e espectadores, territórios e experiências, tradições e rupturas.
O “abraço coletivo” que começa no Rio ecoa em Londres — e vice-versa. Porque onde há arte viva, há sempre pontes sendo criadas.



