Olá queridos leitores! Quero convidar vocês a refletirem comigo neste artigo sobre a Copa do Mundo nunca ter sido apenas futebol e enxergá-la através da arte e sua conexão como laboratório de investigação do conceito sobre o campo ampliado, de Rosalind Krauss (1979).
A Copa do Mundo é imagem, narrativa, identidade visual, símbolo, memória coletiva, conexões. Antes mesmo do primeiro jogo começar, o mundo já foi impactado por cartazes, campanhas, mascotes, uniformes, instalações urbanas e experiências visuais que transformam o torneio em um dos maiores acontecimentos culturais do planeta.
Mas, no Brasil, existe um aspecto ainda mais interessante: a Copa também transforma a paisagem das cidades.
De quatro em quatro anos, ruas ganham bandeirinhas, fachadas são decoradas e muros se tornam grandes telas a céu aberto. Em muitos bairros, artistas e moradores se unem para pintar calçadas, paredes e vielas com imagens de jogadores, bandeiras e símbolos nacionais. Trata-se de uma das maiores manifestações espontâneas de arte urbana do país.
Mesmo efêmeras, essas pinturas carregam um valor simbólico enorme. Elas transformam o espaço público em território de celebração coletiva e revelam como a arte pode nascer da participação popular, sem depender de museus ou galerias.
Outro fenômeno visual muito requisitado é o álbum de figurinhas da Copa.
À primeira vista, ele pode parecer apenas um produto editorial, mas sua importância cultural é maior. Para milhões de pessoas, o primeiro contato com retratos de atletas, design gráfico internacional, bandeiras, escudos e identidades visuais de diferentes países acontece justamente por meio dessas pequenas imagens colecionáveis.
O álbum cria uma experiência estética compartilhada entre gerações e transforma a imagem em objeto de desejo, memória e troca. De certa forma, ele constitui um dos maiores projetos de cultura visual do mundo, mobilizando crianças e adultos em torno da coleção, da organização e da contemplação de imagens.
Hoje, porém, a relação entre arte e Copa entra em um novo campo.
A experiência visual do futebol já não acontece apenas nas ruas, nos álbuns ou nos estádios. Ela se expande para projeções urbanas, instalações imersivas, inteligência artificial, filtros digitais e experiências interativas que conectam o físico ao digital.
Diante de todo esse contexto, é perceptível que a estética do futebol tornou-se ampliada.
Se antes um mural pintado em uma rua representava a paixão de uma comunidade, hoje essa mesma obra pode ganhar uma extensão digital, ser animada por inteligência artificial, compartilhada globalmente e reinterpretada em diferentes plataformas. O que antes existia apenas no espaço físico passa a habitar também o ambientes digital se apresentando em novos formatos, como a realidade aumentada por exemplo.
E talvez seja justamente aí que o futebol também dialogue com a teoria de campo ampliado. A imagem já não está restrita ao muro, à figurinha ou à tela da televisão. Ela circula, se transforma, ganha novas camadas de significado e alcança públicos cada vez maiores.
A Copa do Mundo, afinal, também é um grande laboratório de imagens.
Entre murais pintados nas ruas, figurinhas guardadas com carinho por colecionadores e novas experiências digitais, ela revela algo que a arte sempre soube: algumas imagens são capazes de unir pessoas, atravessar gerações e permanecer vivas na memória coletiva muito depois que o jogo termina, assim como muitas obras de arte.
E pra ilustrar este artigo eu pintei esse quadro (imagem destaque) com a bola de cores atraindo pessoas do mundo inteiro. Essa bola deixa de ser apenas uma bola de futebol e passa a representar a força das imagens coletivas.
As pequenas figuras brancas tentando tocar a esfera colorida simbolizam: torcedores, artistas, colecionadores, crianças trocando figurinhas, pessoas pintando ruas e muros, espectadores globais conectados por uma mesma emoção. Já a bola colorida vira quase um “sol contemporâneo”, irradiando cultura, memória, paixão e pertencimento.
Essa obra foi entitulado “O Mundo da Copa”, acrílica sobre tela, 50×50 cm.
Espero que vocês tenham gostado! ; ) Quem quiser ver um timelapse da obra “O Mundo da Copa” sendo pintada especialmente para este artigo, acesse meu Instagram @bimbritoarts
Bim Brito


